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Sem Lula, o Brasil ajoelha

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29.03.2026

Enquanto parte da elite ainda trata 2026 como mais uma eleição, o mundo real já entrou em disputa aberta por poder, tecnologia e recursos estratégicos. O Brasil está no centro desse conflito. Não é sobre ideologia. É sobre soberania, economia e sobrevivência. E, desta vez, o custo do erro não será político. Será histórico.

A eleição que não é eleição

A eleição de 2026 não é uma disputa eleitoral comum. Ela acontece em um momento em que o sistema internacional deixou de operar em lógica de estabilidade e voltou a funcionar como disputa aberta por poder, recursos e tecnologia. Cadeias produtivas estão sendo reorganizadas, países centrais disputam controle sobre minerais estratégicos, infraestrutura digital e energia, e a América Latina voltou a ser tratada como zona prioritária de influência.

O Brasil está no centro desse movimento.

Não por discurso, mas por posição material. O país concentra uma das maiores reservas de terras raras do mundo, insumos essenciais para chips, baterias e sistemas militares; possui grandes reservas de petróleo no pré-sal; tem uma matriz energética diversificada e uma base produtiva ainda relevante em setores industriais e agroexportadores. Em um cenário de competição global, esse conjunto transforma o Brasil em ativo estratégico.

E ativos estratégicos não ficam neutros.

O erro mais comum na leitura de 2026 é tratá-la como mais um ciclo político interno. Essa interpretação ignora que decisões domésticas hoje têm efeito direto sobre o lugar que o país ocupa na economia global. Países que mantêm capacidade de decisão organizam suas cadeias produtivas, regulam seus setores estratégicos e negociam em posição de força. Países que perdem essa capacidade passam a operar como plataformas de extração e execução.

Essa diferença não é teórica.

Ela define quem controla os recursos, quem se apropria do valor gerado no território e quem estabelece as regras sob as quais a economia funciona. Em um mundo em que a disputa por tecnologia, energia e minerais se intensifica, não existe espaço real para neutralidade.

É por isso que 2026 não decide apenas quem governa.

Decide se o Brasil continuará sendo um país com margem de decisão própria ou se passará a funcionar de forma subordinada dentro de uma estrutura de poder maior.

E, neste cenário, não escolher também é uma forma de escolha.

Porque países que não definem sua posição acabam sendo definidos por outros.

O reposicionamento da América Latina já está em curso, e ele não acontece no plano do discurso, mas no da operação concreta. Em março de 2026, o Paraguai aprovou um acordo que amplia a presença temporária de militares e civis dos Estados Unidos em seu território, com regras especiais de atuação. Poucos dias antes, no SOUTHCOM, a Casa Branca afirmou que cartéis na região “só podem ser derrotados com poder militar”, elevando o narcotráfico à categoria de ameaça equivalente a grupos terroristas.

Essa mudança de linguagem não é detalhe.

Ela redefine o enquadramento da região. Ao transformar segurança pública em questão militar, abre espaço para ampliação de presença externa, integração de inteligência e construção de uma arquitetura regional de segurança orientada por interesses estratégicos que não se originam nos países latino-americanos.

O Brasil está inserido nesse ambiente.

Ao mesmo tempo em que países vizinhos ampliam cooperação militar com os Estados Unidos e aceitam maior integração securitária, organismos internacionais mantêm pressão por ajuste fiscal e reorganização econômica na região. Em julho de 2025, o Fundo Monetário Internacional ampliou em US$ 1 bilhão o programa do Equador, condicionando o apoio a metas fiscais rígidas e reformas estruturais. O padrão se repete: disciplina econômica combinada com reconfiguração institucional.

Esse é o formato contemporâneo de pressão.

Ele não exige ruptura formal, nem intervenção direta. Ele opera por alinhamento progressivo. Países passam a adaptar suas políticas de segurança, economia e infraestrutura a uma lógica externa, mantendo formalmente sua soberania, mas reduzindo, na prática, sua capacidade de decisão.

O resultado é previsível.

À medida que esse modelo se expande, a região deixa........

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