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Quem controla o mundo não é quem produz. É quem decide quem passa

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12.04.2026

Há algum tempo venho acompanhando como a disputa geopolítica deixou de girar apenas em torno de território, produção ou força militar e passou a se concentrar naquilo que sustenta o próprio funcionamento do sistema: a circulação. O mundo nunca foi livre. Durante décadas, o fluxo global foi mediado por poder militar, dólar, seguros e finanças concentrados no eixo ocidental. O que começa a emergir agora, a partir do Estreito de Ormuz, é a contestação desse monopólio. Ao transformar controle militar em capacidade de autorizar, condicionar e precificar a passagem, o Irã testa uma nova forma de poder, enquanto a Ásia passa a validá-la na prática. O que está em jogo não é apenas o fim de uma guerra, mas o início de uma disputa sobre quem tem o direito de fazer o mundo circular.

A ilusão da circulação livre

Durante décadas, o poder global foi descrito como se nascesse da indústria, do tamanho do PIB, da capacidade tecnológica ou da força militar bruta. Tudo isso importa, mas não explica a arquitetura real da hegemonia. O mundo não operou como um espaço aberto. Funcionou como uma ordem em que rotas marítimas, moeda, seguros, crédito e risco foram concentrados sob comando do eixo atlântico, sobretudo dos Estados Unidos. A liberdade proclamada era, na prática, a naturalização de um monopólio.

É por isso que o que acontece agora em torno do Estreito de Ormuz........

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