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O cerco ao voto

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25.10.2026

O Brasil chega ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026 diante de fatos que não podem ser reduzidos a incidentes tecnológicos. Há evidências documentadas de restrições à circulação de conteúdos eleitorais, recomendações algorítmicas incompatíveis com as regras da disputa e disseminação de desinformação por redes políticas organizadas. A gravidade está nas condições materiais em que a vontade popular é formada. A integridade da urna, por mais indispensável que seja, não resolve o problema de uma competição eventualmente comprometida antes do voto.

A fraude pode começar antes do voto

Às 19h14 de 4 de outubro de 2026, quando 64,81% dos resultados presidenciais haviam sido divulgados, o painel nacional do Tribunal Superior Eleitoral parou. Durante 50 minutos, o país ficou sem atualização do resultado nacional da eleição presidencial. Naquele mesmo domingo, até as 15h53, a infraestrutura digital da Justiça Eleitoral havia enfrentado aproximadamente 40 mil tentativas de ataques cibernéticos, segundo reportagem da revista Veja, muitas delas destinadas a sobrecarregar servidores e provocar indisponibilidade de serviços. O TSE atribuiu a paralisação a um congestionamento no processamento dos dados e afirmou que a totalização dos votos não foi comprometida. Não existe comprovação de que os ataques tenham provocado a falha. Existe, porém, uma obrigação incontornável de transparência. A infraestrutura responsável por informar o resultado de uma eleição presidencial não pode depender exclusivamente das explicações de seus próprios administradores.

A investigação independente Conferência BWEB 2026, desenvolvida pelo projeto Multiverso Digital a partir de arquivos públicos do TSE, identificou um intervalo entre 19h31min50s e 19h59min22s sem novos registros de recebimento de boletins de urna nos dados examinados. A lacuna ocorreu dentro dos 50 minutos de paralisação da divulgação nacional. Isso não significa, necessariamente, que os servidores tenham deixado de receber fisicamente os arquivos, porque os horários registrados podem corresponder a etapas posteriores do processamento. Tampouco demonstra manipulação de resultados. Mas estabelece uma questão técnica objetiva, cuja resposta depende dos registros internos de operação. A transparência eleitoral exige esclarecer o que aconteceu, em que componente ocorreu a falha, quais procedimentos foram acionados e como se verificou a continuidade do processamento.

O problema ganha dimensão quando se examina a sequência dos acontecimentos. Em agosto e setembro, o TSE realizou a migração de serviços para a infraestrutura de um novo provedor de nuvem, incluindo o e-Título e o JE-Connect, utilizado na transmissão de arquivos eleitorais. Tratava-se de uma intervenção programada, sem relação causal demonstrada com a paralisação posterior. Durante o primeiro turno, entretanto, falhas no acesso gratuito a aplicativos eleitorais levaram o Supremo Tribunal Federal a cobrar esclarecimentos da Anatel e determinar providências até 22 de outubro. Na reta final do segundo turno, o portal da Justiça Eleitoral também divulgou números inconsistentes sobre mudanças nos locais de votação. Depois das correções, o levantamento de 24 de outubro registrava 442 seções transferidas, atingindo 139.207 eleitores. O tribunal atribuiu a divergência anterior à comparação inadequada de bases de dados. Na mesma semana, anunciou indisponibilidade programada de e-mail e possíveis instabilidades em outros serviços. Esses acontecimentos não possuem necessariamente uma causa comum. Revelam, contudo, a importância de uma fiscalização capaz de distinguir manutenções regulares, erros operacionais, vulnerabilidades e incidentes efetivos de segurança.

Uma auditoria independente do projeto DataUrnas-BR examinou arquivos das 499.207 seções eleitorais instaladas no primeiro turno. Identificou 2.658 imagens de boletins de urna listadas pelo TSE, mas indisponíveis para download, além de um Registro Digital do Voto não publicado. Ao mesmo tempo, verificou 499.207 assinaturas digitais válidas, quase 1,5 milhão de hashes coincidentes e correspondência entre os boletins assinados e a totalização oficial. Os arquivos essenciais das seções cujas imagens estavam indisponíveis também foram conferidos. Os resultados não sustentam........

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