menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

E se Lula ganhar a eleição? A disputa pelo dia seguinte já começou

15 0
23.09.2026

O Brasil chega à eleição sob alerta de interferência estrangeira, radicalização política e uma disputa cada vez mais dura sobre a própria legitimidade das urnas. Se Lula vencer, no primeiro ou no segundo turno, a questão pode deixar de ser apenas quem ganhou. Será também quem reconhecerá o resultado, quem tentará contestá-lo e até onde essa disputa poderá avançar nas primeiras horas depois da apuração.

Quando vencer não basta

Há uma vaga aberta em Doral, na Flórida. A General Dynamics Information Technology procura um profissional com português nativo, experiência em inteligência e autorização de segurança para trabalhar na disseminação de informações do US BICES-X, sistema usado pelo aparato de defesa americano para compartilhar inteligência com parceiros e forças aliadas. Entre as tarefas estão tradução, interpretação e pesquisa sobre segurança nacional, infraestrutura, tecnologia e vulnerabilidades geopolíticas. O anúncio prevê atuação com países da área do Comando Sul dos Estados Unidos.

Em New Orleans, outra contratação chama atenção. Uma empresa que presta serviços ao governo americano procura um especialista em guerra informacional para trabalhar junto à MARFORSOUTH, braço dos Marines voltado à área do Comando Sul. A função exige experiência em operações psicológicas, análise de públicos, construção de mensagens, avaliação de efeitos e dissimulação militar. O início está previsto para outubro de 2026.

Essas duas vagas não provam uma operação americana contra Lula nem contra a eleição brasileira. Não autorizam esse salto. O que revelam é algo mais concreto. Existe capacidade instalada, há profissionais sendo recrutados, o português aparece como requisito operacional e estruturas de inteligência e guerra informacional estão voltadas para a mesma região em que o Brasil se prepara para votar.

É por isso que a pergunta deste artigo ganha peso. E se Lula ganhar?

Ela não surge de uma abstração. Há meses, o sistema eleitoral brasileiro voltou ao terreno em que esteve antes de 2022. As urnas são colocadas sob suspeita sem que exista fraude comprovada. O Supremo virou alvo permanente. Cada crise institucional encontra um ambiente digital pronto para converter desconfiança em combustível político. Antes mesmo da votação, parte da disputa já deixou de ser apenas sobre quem terá mais votos. Passou a envolver quem terá autoridade para dizer, no fim da noite, que a eleição acabou.

Em julho, esse conflito atravessou a fronteira. O governo brasileiro recusou vistos a dois integrantes da administração Trump que pretendiam vir ao país antes da eleição. Autoridades brasileiras disseram à Reuters que a visita serviria para questionar a integridade do sistema eleitoral. Washington negou e afirmou que se tratava de uma viagem de rotina. A divergência é, por si só, relevante. Dois governos passaram a disputar........

© Brasil 247