A sunga branca e o candidato
Há imagens que dispensam comentários. A de Flávio Bolsonaro, de sunga branca, faixa presidencial e pose de galã de propaganda de verão, é uma delas. A imagem, produzida por inteligência artificial e publicada pelo próprio candidato, viralizou às vésperas do lançamento de sua campanha presidencial. No dia seguinte, veio o palanque em Copacabana, com cerca de 9 mil pessoas — um público bastante modesto para quem tenta ocupar o lugar de herdeiro de uma máquina política que já levou multidões à mesma praia. (Novo Notícias)
O fenômeno por trás dela beira o ridículo: é a imagem de um candidato mais afeito ao espetáculo farsesco do que à Presidência da República, como se o mais alto posto da nação pudesse ser tratado como cenário de uma comédia política.
Mas talvez seja justamente aí que esteja o perigo. O ridículo chama atenção, provoca risos, ocupa as redes e, por alguns minutos, parece suficiente. Só que, por trás da caricatura, existe um fenômeno político muito menos engraçado.
A política brasileira aprendeu há algum tempo que não precisa apenas convencer. Precisa provocar. Medo, raiva, ressentimento, indignação. Quanto mais intenso o afeto, melhor. O importante é manter o eleitor mobilizado, de preferência contra alguém.
O ressentimento, tema que já discutimos em outro momento, continua sendo uma das matérias-primas dessa política. A sensação de perda, de abandono, de humilhação, de que alguém recebeu aquilo que deveria ser seu, pode ser transformada em força eleitoral. Mas o ressentimento, sozinho, não........
