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A missão indústria e a escolha do futuro brasileiro

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15.09.2026

O Brasil já demonstrou no agronegócio que sabe construir competitividade mundial. O desafio é aplicar à indústria o mesmo método, combinando estratégia, ciência, capital paciente e cobrança por resultados. A tarefa é mais árdua, porque a fábrica disputa mercados em que tecnologia, escala e cadeias globais mudam mais depressa do que no campo. Mas é dela que depende um desenvolvimento capaz de impulsionar a economia brasileira de forma mais dinâmica.

Nenhum país populoso alcançou renda elevada exportando produtos primários e importando manufaturas. Em dois séculos e meio, as nações que enriqueceram seguiram caminhos distintos, mas compartilharam um fundamento: industrializaram-se, acumularam tecnologia e aprenderam a produzir bens cada vez mais complexos. Inglaterra, Estados Unidos, Japão, Coreia, Taiwan e China não obedeceram passivamente às vantagens comparativas. Construíram novas vantagens.

A história desmente a ideia de que a industrialização tenha sido obra espontânea do mercado. Inglaterra e Estados Unidos recorreram a tarifas, infraestrutura e compras públicas; Alemanha e França combinaram bancos, ensino técnico e pesquisa; o Leste Asiático vinculou crédito e proteção a metas de exportação. A diferença entre política produtiva e privilégio não está no apoio estatal, mas nas contrapartidas e na cobrança.

O Brasil conhece essa história. Entre 1930 e 1980, sua economia cresceu perto de 7% ao ano. Um país exportador de café construiu siderurgia, petróleo, automóveis, bens de capital e química, além de semear Embraer, Embrapa e Proálcool. Ao final, era a oitava economia industrial do mundo.

O modelo acumulou problemas: proteção prolongada, baixa disciplina exportadora e vulnerabilidade externa. A estabilização dos anos 1990 era indispensável. O erro foi tratá-la como estratégia suficiente. Abertura abrupta, câmbio apreciado, juros altos e retração do crédito expuseram a indústria sem criar condições para sua modernização.

O resultado foi uma desindustrialização precoce. Diferentemente dos países ricos, que perderam participação industrial depois de completar seu desenvolvimento e formar serviços sofisticados, o Brasil encolheu sua manufatura ainda na renda média. A indústria de transformação, que representava 27% do PIB em 1986, caiu para atuais 14%. Entre 1981 e 2003, o crescimento da renda por habitante ficou próximo de zero. A década de 2010 foi outra década perdida com crescimento zero na renda dos brasileiros. A estabilidade permaneceu, mas o salto de produtividade não veio.

Enquanto a América Latina desmontava sua estratégia, a Ásia avançava. A Coreia cobrou desempenho exportador; Taiwan incubou a........

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