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Carta, atrevida, ao presidente Lula: de virada é mais gostoso

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05.10.2026

Há comparações históricas que precisam ser feitas com cuidado. Não porque sejam proibidas, mas justamente porque podem nos ensinar alguma coisa.

Comparar a ascensão de Adolf Hitler na Alemanha do entreguerras com a onda de vitórias da direita radical que atravessa o mundo desde a segunda década deste século não significa dizer que vivemos uma repetição de 1933. Não vivemos; contudo, há uma semelhança que deveria nos preocupar: o desencanto de parcelas expressivas da sociedade com a democracia liberal e com sua incapacidade de entregar aquilo que promete é inegável.

É aí que começa a história.

A República de Weimar nasceu sobre os escombros da Primeira Guerra Mundial. A Alemanha estava humilhada pelo Tratado de Versalhes, economicamente devastada, politicamente dividida e socialmente traumatizada. A hiperinflação de 1923 destruiu economias familiares. Depois, quando a situação começava a melhorar, veio a Grande Depressão de 1929. O desemprego explodiu, o Estado pareceu impotente e o Parlamento tornou-se sinônimo de conflito, negociação interminável e incapacidade de decidir.

Hitler percebeu antes de muitos outros uma coisa elementar da política: quando as pessoas deixam de acreditar que o sistema pode melhorar suas vidas, passam a acreditar em quem promete destruí-lo. Essa é a narrativa, a arma da extrema-direita desde as marchas de 2013, passando pela Lava Jato, pela prisão de Lula, pelo golpe contra Dilma e pela vitória de Bolsonaro em 2018: a destruição das instituições, pois elas seriam as responsáveis por todo o seu desencanto.

Os nazistas não ofereceram apenas ódio. Ofereceram uma narrativa, assim como os bolsonaristas e o MBL.

Disseram ao alemão desempregado que lhe devolveriam o trabalho. Ao pequeno comerciante arruinado, que recuperariam sua dignidade. À classe média empobrecida, que restaurariam sua segurança. Aos que se sentiam humilhados, que devolveriam à Alemanha o orgulho perdido. Por aqui apelaram para uma narrativa anticomunista, uma hipócrita pauta de costumes e uma falsa luta contra a corrupção. Como pretendem combater a corrupção destruindo as instituições democráticas?

E ofereceram culpados: judeus, comunistas, políticos, intelectuais, estrangeiros. A política deixou de ser a construção de um futuro e passou a ser a identificação de inimigos.

É aqui que a história começa a conversar com o nosso tempo.

Desde a segunda década deste século, assistimos a uma onda de crescimento das direitas radicais, dos nacionalismos, dos populismos autoritários e dos movimentos que apresentam a democracia liberal como responsável por quase todos os males contemporâneos.

Nos Estados Unidos, na Europa, na América Latina e em outras regiões, partidos e líderes de direita descobriram que existe uma enorme reserva política........

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