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Se queres a paz, prepara-te para a guerra

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23.01.2026

Por José Maurício Bustani e Paulo Nogueira Batista Jr.

A ninguém escapa que vivemos atualmente uma fase de imensos riscos no mundo inteiro. Desde a Segunda Guerra Mundial, não se via um quadro geopolítico e militar tão problemático e perigoso.

A fonte principal de instabilidade, ameaças e agressões é conhecida. Seria um equívoco, entretanto, atribuir a Donald Trump a responsabilidade exclusiva pelo que vem ocorrendo. Antes pudéssemos fazê-lo. Trump é passageiro. Mas o problema é de natureza estrutural e será, portanto, mais duradouro. A tradição imperial dos Estados Unidos.

Duas observações. Primeira: o Império Americano sempre foi intervencionista e violento. O seu desprezo pela ordem internacional não é de hoje e vem se manifestando sob diversas formas, até na direção de organizações internacionais, ao orquestrar o afastamento do primeiro Diretor-Geral da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ). E as invasões do Iraque, da Líbia e da Síria, entre outras, ocorreram sempre com base em alegações forjadas, impostas ao resto do mundo como verdades. 

Não nos esqueçamos de que abusos e violências ocorreram também durante governos democratas. O Império não dá trégua. Já Eisenhower denunciava o temível poder do “complexo militar-industrial”. Mais recentemente, tornou-se de uso corrente a expressão “deep state” (“estado profundo”), constituído pelo Departamento de Estado, o Pentágono, o FBI, a CIA, a imprensa corporativa e poderosos grupos financeiros. O “deep state” atua sob qualquer presidência e, de fato, manobrou o leme de Clinton, Obama e Biden, tanto como o dos presidentes republicanos. E nem mesmo as ideias originalmente propostas no MAGA de Trump parecem lograr sobreviver ao império de tão possante motor.

Antes de Trump, porém, a ação imperial era protegida por camadas de retórica e hipocrisia – a hipocrisia que, como escreveu La Rochefoucauld, é “a homenagem do vício à virtude”. Trump é contra a hipocrisia, sempre foi. Quando atacou a Venezuela, por exemplo, disse com franqueza que o seu objetivo era “administrar” o país e passar a controlar........

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