Lula, a nata do PIB e os juros
A coordenação da campanha de Lula anunciou a intenção de realizar um encontro entre o candidato à reeleição e uma seleta lista de representantes do PIB do País. Ao que tudo indica, estiveram presentes no Palácio do Alvorada, em jantar no último dia de agosto, pouco mais de uma dúzia de grandes banqueiros, megaempresários de ramos variados e outros tantos multimilionários vinculados ao agronegócio. A decisão de realizar esse evento ocorreu logo depois de um encontro semelhante que seu principal oponente, Flávio Bolsonaro, promoveu recentemente. De acordo com informações divulgadas pela grande imprensa, o evento teve um formato bastante semelhante, contando com a presença de pessoas apontadas como responsáveis pela área econômica e com boa parte dos mesmos convidados que atenderam ao chamado bolsonarista.
A ideia de promover encontros do candidato com representantes de diferentes setores da sociedade é bastante compreensível e saudável do ponto de vista político. No entanto, Lula parece continuar preocupado apenas em atender aos desejos e aos interesses do topo da nossa vergonhosa pirâmide da desigualdade. Trata-se de dar tratos àquilo que se converteu em uma brincadeira mal-intencionada contra o petista nos próprios grandes meios de comunicação no passado: “a zélites”. Ocorre que ele não confere tratamento semelhante aos representantes da base da sociedade. Por que não receber lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ou das centrais sindicais para discutir os itens de seu programa de governo para um eventual quarto mandato?
Não nos iludamos com a “zélites”
Ao estabelecer esse tipo de prioridade em sua agenda de candidato, Lula pretende deixar claro para as classes dominantes qual será a sua maior preocupação à frente de um quarto mandato, caso vença as eleições mais uma vez em outubro próximo. As reivindicações deste reduzido grupo de indivíduos são mais do que conhecidas. No campo trabalhista, são favoráveis às reformas levadas a cabo por Temer e Bolsonaro, com a explicitação da retirada de direitos, a generalização da precariedade, o reforço da uberização e a consolidação da pejotização. Fim da escala 6×1, então, nem se fala. No campo tributário, são favoráveis à redução da carga de impostos e totalmente contrários à tributação sobre o patrimônio, as grandes fortunas e os rendimentos muito elevados. Além disso, sempre fizeram tudo o que puderam para evitar o fim........
