O Caminho do Eldorado
Eu tinha 11 anos quando vi aquilo na televisão. Não sei exatamente o que eu entendia naquele momento, tenho certeza de que não entendia tudo, porque quando a gente é criança o telejornal é uma coisa que fica ligada ao fundo, uma voz de adulto que descreve um mundo que ainda não é o seu. Mas aquelas imagens entraram na minha mente. Eram corpos enfileirados em um caminhão no Pará, aquele lugar tão longe do meu Ceará. Mulheres, homens e crianças chorando na estrada. Muito sangue, tristeza e um nome que ficou na minha cabeça para sempre: Eldorado dos Carajás.
Eu não sabia ainda, mas aprenderia mais tarde, na escola, que aquele nome vinha de longe. Lá conheci o outro El Dorado, o mito que os conquistadores espanhóis carregavam pela América do Sul como uma promessa: uma cidade inteira feita de ouro, escondida em algum lugar na floresta à espera de ser encontrada e saqueada. Muitos povos indígenas foram exterminados nesse caminho. Aldeias inteiras. Toda uma arquitetura de violência erguida sobre a crença de que havia algo de imenso valor ali na frente, e quem estivesse no meio do caminho era apenas um obstáculo a ser destruído. Esse El Dorado nunca foi encontrado, mas o caminho continuou.
Séculos depois, esse caminho voltaria a se abrir na região amazônica. A busca não era........
