A covardia do literato Greca
Há personagens que passam a vida cultivando a imagem da coragem. Erguem a voz, ocupam os palcos, citam os clássicos, desfilam erudição e fazem da própria biografia uma obra cuidadosamente editada. Mas chega um momento em que a política exige menos citações em latim e mais disposição para enfrentar o risco. É nesse instante que se descobre quem tem fibra e quem apenas vestia o figurino. É aqui que os meninos são separados dos homens.
Rafael Greca escolheu descer do palco da disputa pelo Governo do Paraná antes mesmo de a cortina subir. Preferiu embarcar na nau capitânia de Sandro Alex, sob a bússola política de Ratinho Júnior. É uma decisão legítima. Na democracia, desistir também é um direito. Mas há desistências que encolhem seus protagonistas.
Greca sempre cultivou a imagem do homem singular: culto, refinado, apaixonado por história, arquitetura e poesia. Construiu um personagem que parecia........
