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O sequestro do diesel

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03.04.2026

O Estreito de Ormuz parece distante, mas seus efeitos já chegaram às bombas brasileiras. Com a recente elevação do prêmio de risco sobre o petróleo no Oriente Médio, o Brasil volta a enfrentar uma vulnerabilidade conhecida e sistematicamente negligenciada: a dependência estrutural do diesel. Não se trata de um detalhe técnico. É o elo central da logística nacional — aquele que conecta o campo à cidade, a produção ao consumo, o frete ao preço dos alimentos.

A leitura mais comum busca conforto em mecanismos emergenciais. Programas de subvenção, ajustes pontuais de preço, apelos à moderação do mercado. A recusa de grandes distribuidoras em aderir ao programa de amortecimento do governo federal e a resistência fiscal dos estados expõem o limite desse modelo. Não estamos diante de um erro pontual ou de falhas de coordenação circunstanciais. O que se revela é algo mais profundo: um sistema de incentivos em que a volatilidade é sistematicamente repassada, e não absorvida.

Em um setor altamente concentrado, essa dinâmica não é exceção. Tem sido a regra. Diante de choques externos, o comportamento racional dos agentes é proteger margens e evitar risco. O problema é que, quando todos fazem isso ao mesmo tempo, o custo é transferido para o restante da economia. O resultado aparece rapidamente: pressão sobre o transporte, encarecimento dos alimentos, aceleração inflacionária. O diesel, nesse contexto, deixa de ser apenas um insumo e passa a ser um........

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