O debate, a eleição e a mídia estrangeira
Na reta final da corrida presidencial brasileira, o país continua ocupando um espaço privilegiado nas páginas dos jornais estrangeiros. A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o filho do líder da ultradireita mobiliza jornais e agências de notícias das Américas, da Europa e da Ásia, que acompanham não apenas o acirramento da campanha, mas também as consequências de uma possível guinada na maior economia da América Latina.
O interesse estrangeiro não se restringe ao resultado das urnas no próximo domingo, 25 de outubro. O que está em jogo, na avaliação da mídia internacional, é a orientação política, econômica, diplomática e ambiental de um país que ocupa uma posição estratégica na disputa de influência entre Estados Unidos e China, abriga a maior parte da floresta amazônica e tem buscado ampliar sua presença no comércio mundial.
Nesta segunda-feira, 19 de outubro, três acontecimentos concentram as atenções dos jornais estrangeiros: a redução da vantagem do líder da ultradireita nas pesquisas, o primeiro confronto direto entre os candidatos na televisão, ocorrido na noite de domingo, e o debate sobre o futuro da Amazônia.
Há também uma questão que atravessa praticamente toda a cobertura: até que ponto a polarização política, as denúncias de corrupção e a desinformação nas redes sociais poderão influenciar a participação dos eleitores no próximo domingo?
Uma eleição em aberto
As pesquisas divulgadas nesta segunda-feira mostram que a disputa está mais apertada, com Lula se aproximando do líder na corrida presidencial. A diferença é menor do que aquela registrada nas duas semanas anteriores. Flávio Bolsonaro continua numericamente à frente, mas Lula reduziu a distância que o separava do adversário.
Reuters destaca que o levantamento Nexus/BTG Pactual aponta 46,5% das intenções de voto para Bolsonaro e 45,9% para Lula. A diferença de apenas 0,6 ponto percentual está dentro da margem de erro de dois pontos. Na pesquisa anterior, a vantagem do senador era de 2,8 pontos. Já a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg apresenta um cenário semelhante: 49,8% para Bolsonaro e 47,6% para Lula. A diferença caiu de 5,4 para 2,2 pontos percentuais. Considerados apenas os votos válidos, Bolsonaro aparece com 50,3% no Nexus e 51,1% no AtlasIntel.
Os números indicam que o segundo turno permanece competitivo. A vantagem do candidato da oposição existe, mas diminuiu. E, em uma eleição marcada pela polarização e por um contingente expressivo de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno, pequenas oscilações podem alterar o resultado. A eleição chega à última semana sem um vencedor definido.
Um debate de ataques e acusações
O primeiro debate presidencial de 2026 com os dois candidatos, realizado na noite de domingo pela TV Bandeirantes, recebeu ampla cobertura das agências Reuters, Associated Press e do jornal francês Le Monde. A avaliação predominante foi a de um confronto tenso, marcado por ataques pessoais, acusações de corrupção e poucas propostas capazes de esclarecer as diferenças entre os programas de governo.
Lula procurou explorar as ligações de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto o senador concentrou parte de seus ataques em denúncias envolvendo familiares do presidente. A economia, a segurança pública e o custo dos alimentos também apareceram entre os principais temas.
O presidente defendeu os resultados econômicos de seu governo. Bolsonaro insistiu no aumento dos preços dos alimentos e procurou responsabilizar Lula pelas dificuldades enfrentadas pelas famílias brasileiras. Mas o confronto ultrapassou as........
