O Brasil que o mundo vê a três dias da eleição
Faltam três dias para as eleições gerais brasileiras. E basta abrir os jornais e revistas estrangeiros para perceber que o mundo está olhando para o Brasil. Não apenas para saber quem vencerá a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A curiosidade não é sobre as visões diferentes para o que o Brasil quer ser. É sobre o futuro do país. E do mundo.
Do New York Times ao Guardian, passando por El País, Libération, L’Humanité Magazine, L’Express, Stern, Visão e La Vanguardia, a pergunta é: que Brasil sairá das urnas no domingo — e que lugar esse país pretende ocupar no cenário internacional?
É isso que torna particularmente interessante a cobertura internacional desta reta final. Vista de fora, a eleição brasileira não aparece isolada da enorme reorganização econômica e geopolítica em curso. O mundo está de olho. E, simultaneamente, há temor e esperança.
Porque Donald Trump e a influência dos Estados Unidos na América Latina são marcas desta eleição. Assim como China. E também o acordo União Europeia-Mercosul. Isso sem falar na Amazônia, minerais críticos, direitos sociais, povos indígenas, preservação ambiental, petróleo, transição energética e produção de alimentos. O Brasil alimenta parte do planeta.
E, curioso, os correspondentes estrangeiros olham para além das questões de fundo econômico. As reportagens mostram o país da vida real. É um olhar para dentro do país que nem mesmo a mídia nacional tem se preocupado em retratar. Há reportagens sobre o endividamento das famílias, a inflação percebida, o Bolsa Família, o custo do crédito, a segurança pública, a religião, a situação fiscal e até para as condições em que jornalistas conseguem trabalhar nesta campanha presidencial.
O resultado é quase um retrato do Brasil projetado simultaneamente em Nova York, Londres, Paris, Madri, Barcelona, Berlim e Lisboa. E talvez seja justamente essa distância que torne algumas dessas perguntas e recortes do país que vai às urnas mais interessantes.
O Brasil entre Trump e a China
A dimensão internacional da eleição aparece com especial força na imprensa estadunidense e alemã. Em reportagem de página inteira, o New York Times hoje aborda o receio de interferência dos Estados Unidos na campanha presidencial brasileira e relata iniciativas atribuídas ao governo Trump e a seus aliados para favorecer politicamente o candidato da extrema direita Flávio Bolsonaro.
Já a revista alemã Stern vai mais longe na tentativa de interpretar o que está em jogo. Em seis páginas dedicadas ao Brasil, o correspondente Jan Christoph Wiechmann pergunta até onde pode esticada a influência política americana na América Latina.
Esta é uma questão que ganha outra dimensão quando colocada diante dos números do comércio brasileiro. A China já é o principal parceiro comercial do país. Ao mesmo tempo, o acordo entre União Europeia e Mercosul abre uma nova frente de integração econômica com a Europa, que precisa manter empregos internamente e assegurar um futuro de convivência com um mundo em ebulição.
E o Brasil, diferentemente de economias menores da América Latina, tem não apenas escala territorial, econômica e política, mas um grande mercado consumidor e recursos abundantes. Ou seja, o Brasil tem condições de assegurar algum tipo de margem de autonomia entre os polos que redesenham o mundo.
É nesse ponto que a eleição brasileira deixa, aos olhos........
