Lula emerge mais forte de uma semana difícil
Depois de uma semana extremamente dura para o presidente Lula, marcada por reveses em algumas pesquisas e pela dificuldade de encontrar um tom diante da crise no Supremo, o balanço de sexta é relativamente bom para o Planalto. O Datafolha divulgado hoje mantém o presidente na liderança do primeiro turno e lhe devolve uma vantagem numérica no segundo, com efeito psicológico importante para a campanha, para a militância e para toda a frente democrática e popular que o sustenta.
Foi um alívio. E justamente por isso o maior erro da campanha de Lula, daqui para a frente, será relaxar e achar que está tudo bem porque o presidente aparece 2 pontos à frente de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Dois pontos são empate. Assim como não devemos ficar aflitos quando Flávio surge 1 ou 2 pontos na frente em alguma pesquisa, tampouco podemos ficar tranquilos quando Lula aparece com a mesma vantagem, porque estatisticamente é idêntico.
Na minha humilde opinião, a direção da campanha está errada. Ela não aponta para o futuro e não trabalha para oferecer ao eleitor a expectativa de algo novo.
A tese de sistema contra antissistema, e a ideia de que a esquerda defende as instituições enquanto a direita as ataca, me parece uma tremenda besteira. O povo nunca foi e nunca será amigo de black blocs, mas gosta das instituições apenas na medida em que elas lhe oferecem coisas boas, o que é óbvio.
O problema da campanha, portanto, não passa pela defesa ou não das instituições, nem pela posição a favor ou contra o sistema. Está em oferecer o novo, o ousado, e volto a repetir o que venho dizendo há meses, quiçá anos: ferrovias e energia solar.
Conversei há pouco com uma pessoa da direção da campanha e saí apreensivo. Ouvi que também se queria defender o VLT e a ferrovia, mas que isso “não foi aprovado”.
Como assim não foi aprovado? O PT está tocando a maior obra de mobilidade urbana da América Latina, o VLT de Salvador, com dinheiro do governo Lula, e a direção da campanha acha que o governo não deve colocar trilhos como uma de suas bandeiras?
Além de não defender a ferrovia, o presidente vai esconder o que faz? Esconder uma obra dessas, na Bahia, em plena campanha, é desperdiçar o único argumento que a direita não tem como copiar, o de que a........
