Entre protagonistas e figurantes, Mateus Solano questiona quem conduz a própria história
Por Michelle Catarine Machado e Maria Luiza Figueredo – Há momentos em que a vida continua acontecendo, mas já não parece nos pertencer. Cumprimos horários, desempenhamos funções, sustentamos relações e perseguimos reconhecimento sem perceber quando deixamos de escolher o caminho. E é nesse intervalo entre existir e apenas corresponder ao que esperam de nós que O Figurante encontra sua matéria-prima.
No primeiro monólogo de sua carreira, Mateus Solano interpreta Augusto, um profissional do audiovisual acostumado a ocupar o fundo da cena. Enquanto busca uma oportunidade sob os refletores, o personagem começa a questionar o lugar que lhe reservaram e a própria participação na história que vive.
O contraste não poderia ser mais preciso. Conhecido por personagens de destaque na televisão, o ator assume o papel de um homem quase invisível. O sucesso, porém, não o protege da inquietação que conduz o espetáculo.
“Todos nós temos ou já tivemos, em algum momento, a sensação de estarmos apagados da própria história. Ter interpretado protagonistas em novelas não me exclui disso”, afirma.
Após mais de 260 apresentações, Solano percebeu que o desconforto de Augusto não pertence apenas a quem vive à margem dos holofotes. Ele aparece quando as decisões pessoais começam a ser substituídas por obrigações, convenções e papéis sociais assumidos quase automaticamente.
“Muitas vezes, ao longo da trajetória, percebemos que estamos vivendo menos do que sendo vividos. Apenas cumprimos funções, em vez de experimentar plenamente o milagre de estar vivo”.
Quem está no controle das nossas decisões?
No palco, a pergunta sobre protagonismo ultrapassa os limites da profissão de Augusto. O espetáculo confronta o público com uma dúvida mais incômoda: quem está tomando as decisões quando acreditamos estar no controle?
Pode ser uma carreira. Um casamento. A necessidade de prestígio. A obrigação de corresponder às expectativas familiares........
