Quando o combate ao crime vira pretexto para intervenção
A intenção do governo dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas carrega um risco que vai muito além de aspectos de segurança pública. A questão, impulsionada pela extrema direita brasileira, não é técnica. É política. E, sobretudo, geopolítica.
É verdade que o crime organizado brasileiro mudou de escala. O PCC e o Comando Vermelho deixaram de ser quadrilhas nacionais. Hoje operam como redes transnacionais. O PCC, por exemplo, já foi identificado em 28 países, distribuídos em quatro continentes.
Esse cenário exige uma resposta firme do Estado brasileiro. Mas reconhecer a dimensão do problema não significa aceitar soluções que, sob o pretexto de combater o crime, reconfiguram o equilíbrio de poder internacional a nosso desfavor.
A verdade é que sabemos pouco sobre a atuação internacional dessas organizações. Boa parte do que circula no debate público está mais próxima de narrativas infladas, de fake news, do que de investigações consolidadas.
Sabe-se que há lavagem de dinheiro, expansão de mercados ilícitos e conexões logísticas fora do país. Atividades que são nocivas ao Brasil e aos países onde essas organizações........
