“Candidato” é a Globo que o pariu
Há algo de profundamente equivocado na maneira como os apresentadores do Jornal Nacional trataram Luiz Inácio Lula da Silva durante a sabatina realizada ontem. A condição de candidato à reeleição parece ter servido de justificativa para que fosse apagada, no tratamento dispensado a ele, uma circunstância elementar: Lula não é apenas candidato. É, antes de tudo, o presidente da República em pleno exercício de seu mandato constitucional.
Não há razão institucional, jornalística ou democrática para omitir essa condição. Ao contrário. O fato de um presidente disputar a reeleição não o despe do cargo, não suspende suas prerrogativas nem elimina a devida reverência à função que exerce. Até o último dia de seu mandato, Lula é o presidente da República Federativa do Brasil.
Isso não significa impedir perguntas duras, críticas ou cobranças. O presidente da República deve ser questionado, inclusive com rigor, por suas decisões e por seus atos de governo. Uma coisa é exercer o jornalismo crítico, se aquilo que se viu ontem pode ser assim considerado; outra, muito diferente, é rebaixar simbolicamente a autoridade institucional de quem ocupa o mais alto posto da........
