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Quando o império hesita: Trump, Ormuz e os limites da força americana

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06.05.2026

Há guerras que começam no campo militar e terminam no econômico. Há outras que sequer conseguem começar porque os custos econômicos se tornam insuportáveis antes mesmo do primeiro grande ataque.

A crise recente em torno do Estreito de Ormuz parece caminhar exatamente nessa direção.

Depois de meses de retórica agressiva, ameaças contra o Irã e alinhamento quase absoluto à estratégia do governo de Benjamin Netanyahu, o presidente Donald Trump acabou revelando algo que talvez seja muito maior do que um simples recuo tático: os limites concretos do poder americano diante de um mundo muito mais vulnerável, interdependente e menos controlável do que foi em outros períodos históricos.

A história do Estreito de Ormuz ajuda a entender por quê.

Desde os anos 1970, a região do Golfo Pérsico ocupa posição central na geopolítica global. Não apenas pelas reservas gigantescas de petróleo, mas porque dali sai parte decisiva da energia que alimenta as economias industriais do planeta.

O Estreito de Ormuz — uma estreita passagem marítima entre o Irã e Omã — tornou-se o principal gargalo energético do mundo contemporâneo. Cerca de um quinto do petróleo comercializado internacionalmente atravessa diariamente aquele corredor marítimo. Em alguns momentos, a proporção envolvendo petróleo e gás liquefeito destinados à Ásia é ainda maior.

Isso significa que qualquer ameaça à navegação na região provoca ondas imediatas nos mercados globais.

Não se trata apenas de petróleo mais caro. O impacto rapidamente se espalha para fertilizantes, alimentos, fretes marítimos, inflação, juros e crescimento econômico. Em um mundo profundamente financeirizado e dependente de cadeias logísticas globais, Ormuz funciona como uma espécie de artéria vital do capitalismo contemporâneo.

Foi exatamente isso que transformou o confronto com o Irã em algo muito mais delicado do que parte da retórica política americana sugeria.

Durante anos, Washington acostumou-se a operar militarmente em regiões periféricas sem enfrentar custos sistêmicos imediatos. As guerras do Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria produziram enorme devastação humana, mas não chegaram a ameaçar diretamente o funcionamento cotidiano da economia........

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