Entre derrotas e comando: quem governa o Brasil às vésperas de 2026
As derrotas recentes do governo no Congresso — a não aprovação de Jorge Messias e a derrubada dos vetos de Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de dosimetria — não podem ser tratadas como episódios isolados. Elas revelam, com clareza crescente, que o centro de gravidade do poder no Brasil mudou — e que o Executivo já não exerce, de forma inequívoca, a função de comando.
Essa mudança foi sendo construída ao longo dos últimos anos, à medida que o Congresso ampliou sua capacidade de intervenção direta sobre o orçamento. As emendas parlamentares — sobretudo as impositivas — alteraram a lógica da governabilidade. O que antes era instrumento de negociação tornou-se base de autonomia política. Deputados e senadores passaram a dispor de recursos próprios, fortalecendo suas bases eleitorais e reduzindo sua dependência do governo federal.
O resultado é um Legislativo que já não reage ao Executivo, mas atua com agenda própria — e, em momentos decisivos, impõe derrotas sem custos políticos proporcionais.
Mas esse processo não é difuso. Ele se organiza em torno de lideranças concretas. No Senado, esse papel é exercido com clareza por Davi Alcolumbre.
Sua atuação recente vai além da condução formal da Casa. Alcolumbre tornou-se um operador central do novo arranjo de poder em Brasília. Controla a pauta, define o ritmo das votações e transforma prerrogativas regimentais em instrumentos políticos efetivos. A não aprovação de Jorge Messias expressa esse controle. A derrubada dos vetos presidenciais também.
Nesse ambiente, o governo negocia — mas já não define.
É nesse ponto que o chamado caso Banco Master precisa ser explicitado. A controvérsia envolve suspeitas e tensões institucionais que alcançam o Supremo Tribunal Federal e alimentam um clima de incerteza........
