Burros nas areias
Como afirmamos, Trump cometeu um erro de cálculo monumental ao atacar o Irã, convencido que foi, por Netanyahu, de que o regime iraniano, enfraquecido política e economicamente, cairia com facilidade, após uma intervenção militar relativamente rápida.
Trump foi advertido, por seus militares, de que a coisa seria muito mais difícil e complexa do que o que havia acontecido recentemente na Venezuela, praticamente um passeio.
Trump, entretanto, pressionado por Netanyahu e incentivado por sua equipe de gente incompetente e ignorante, composta por indivíduos do “calibre” intelectual de Hegseth e Marco Rubio, foi em frente, de olho em uma vitória fácil e expedita, que seria aplaudida até pelos céticos do MAGA.
Obviamente, fracassou.
Constatou o óbvio. As chances do regime iraniano cair com bombardeios e assassinatos de lideranças são praticamente nulas. A mudança de regime só teria alguma chance de ocorrer com invasão terrestre maciça, em uma guerra sangrenta que duraria anos e que mergulharia os EUA em um “atoleiro” militar e político muito pior do que o que se verificou no Iraque.
Ante o erro de cálculo evidente, o governo Trump busca, agora, modificar a justificativa para a agressão ao Direito internacional e à Carta das Nações Unidas.
Fala em acabar com o programa nuclear iraniano, que segundo ele próprio já teria sido “obliterado” na recente guerra dos 12 dias, acabar com o programa de mísseis, destruir a marinha do Irã, acabar com aliados do Irã, como o Hezbollah (o que implicaria transformar o Sul do Líbano numa nova Gaza) etc.
Procura uma justificativa para sair do conflito, no qual entrou sem uma estratégia viável e crível, “cantando vitória”.
Vai fracassar, também nesse aspecto.
A guerra já se alastrou, sem qualquer controle, para vizinhos do Irã que são velhos aliados dos EUA, como Arábia........
