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Repaginação eleitoreira

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31.08.2026

É gritante o contraste entre o que fala o governador Tarcísio de Freitas e o que praticou ao longo de sua gestão até aqui. A conduta mostra sua aposta nos prodígios do marketing político para, parafraseando o nome do filme, apagar “as coisas que fez no verão passado”. A começar pela súbita preocupação com os casos de feminicídio.  

Em dezembro de 2025, um coronel da Polícia Militar assassinou a esposa, também oficial da PM. Pressionado pela repercussão do caso, Tarcísio disse ser solidário à vítima e seus familiares. Mas, para desviar a atenção dos três anos de crescimento brutal do feminicídio em sua gestão no Estado de São Paulo, criou um argumento para se eximir da responsabilidade: “é uma epidemia nacional”, afirmou. 

O truque verbal teve como objetivo mascarar a realidade do aumento do número de casos no Estado e, assim, não falar que seu governo cortou seguidas vezes o orçamento dedicado às políticas de proteção às mulheres. É justamente o inverso do que ocorreu no restante do país, como bem observou Fernando Haddad.

O governador Tarcísio de Freitas usa a mesma artimanha para todas as áreas em que sua gestão patina. Isso se repete na Segurança Pública, nas privatizações e também no seu apoio envergonhado à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.  

Na segurança, Tarcísio defende sua gestão com dados parciais de diminuição de alguns tipos de crime, enquanto ignora outros que aumentam exponencialmente. É o caso dos episódios de agressão e estupro de vulnerável, por exemplo, mas também do roubo de celulares e do aliciamento de policiais pelo crime organizado. Isso sem falar na própria violência das abordagens policiais,........

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