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Tapajós e a luta anticolonial

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07.02.2026

Não é apenas uma hidrovia. Não é apenas uma ferrovia. É um projeto de dragagem. É um projeto de devastação ambiental. Um sifão gigantesco inserido nas veias abertas do Tapajós para sugar, com voracidade inédita, a riqueza viva do território e convertê-la em commodity morta, em grão anônimo para saciar a fome insaciável do capital global. Destruição para escoar soja, algodão, milho, produzidos pelo agronegócio latifundiário que mata, polui, desmata e gera fome.

A dragagem de rios como o Tapajós, Madeira e Tocantins, muda o fundo, a água, o curso, a fauna, as margens, toda a vida e biodiversidade de quem depende dele todos os dias. Os protestos dos povos originários que ecoam nas margens do rio não são “obstáculos ao desenvolvimento”. São protestos legítimos de povos, de culturas pela soberania nacional, lutando contra a lógica reducionista e excludente do agronegócio exportador. É a luta pelo território que é alimento, caminho, memória e morada.

A Ferrogrão (EF-170) e as hidrovias são a materialização de um modelo antinacional e anti-vida. Vestem-se com o discurso modernizante da “logística eficiente”, mas seu DNA é colonial. O objetivo é único e claro: reduzir o custo de escoamento da soja, do algodão e do milho do Mato Grosso até os portos do Norte, incrementando o lucro de um punhado de corporações internacionais e seus sócios locais. Em seu........

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