Quando o poder apaga a História: Trump faz guerra contra a memória
A substituição, pelo governo Trump, dos painéis da Avenging the Ancestors Coalition (Coalizão pela Justiça aos Antepassados) na histórica residência de George Washington expõe um velho fenômeno: a tentativa de transformar a História em instrumento de poder. Porque toda vez que um governo decide o que pode ou não ser lembrado, o passado deixa de ser memória e passa a ser propaganda.
George Orwell escreveu que “quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”. Poucas frases descrevem tão bem o que acaba de acontecer no Independence National Historical Park, na Filadélfia, a casa presidencial onde viveu George Washington.
O atual presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou a retirada dos painéis da exposição criada pela Avenging the Ancestors Coalition (ATAC), dedicada aos nove africanos escravizados que viveram na residência presidencial de George Washington – sim, o “pai da pátria” para os norte-americanos mantinha escravos a seu serviço na sede do governo. Os nove painéis eram enormes, e cada um deles era dedicado à memória de um dos escravos que serviram a Washington, um dos principais fundadores dos Estados Unidos. Ele atuou como comandante do exército na independência, presidiu a criação da Constituição e governou como o primeiro presidente.
A decisão de Trump está longe de ser uma simples mudança museográfica. Ela representa mais um episódio da crescente disputa política pela memória histórica, fenômeno que hoje atravessa democracias e regimes autoritários em diversas partes do mundo. Como todo líder autocrata, Trump não quer que “memórias negativas” continuem a macular o passado dos Estados Unidos.
Museus nunca são neutros. Monumentos nunca são inocentes. Livros didáticos jamais são apenas livros. Todos eles contam uma história........
