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Geografia da desigualdade: quando o CEP vale mais do que o talento

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19.07.2026

Não é apenas a renda que separa os seres humanos. O território onde cada um nasce determina expectativas de vida, acesso ao conhecimento, oportunidades e até a possibilidade de sonhar. A desigualdade social deixou de ser apenas um problema econômico. Tornou-se a arquitetura do mundo contemporâneo. É o que explica a “geografia da desigualdade”, um ramo das ciências sociais que tende a ser cada vez mais importante. Ela trata de temas atualíssimos, tais como o fato de que certas cidades, territórios e bairros urbanos (a exemplo de Jackson Hole, Dubai, o Principado de Mônaco, Londres, partes de Nova York e até mesmo bairros de São Paulo) vêm se transformando em “ilhas de riqueza extrema”, um fenômeno que pode definir uma das grandes questões sociais do século 21.

Quem primeiro me abriu os olhos sobre a geografia da desigualdade foi um médico, Dr. Étienne Berthet, o diretor-geral do Centro Internacional da Infância(Centre International de l’Énfance – CIE), em Paris, no já distante ano de 1968. Eu estava no início da minha carreira de jornalista, e chegara há pouco a França para trabalhar no bureau da revista brasileira Manchete. Entrevistar o Dr. Berthet foi meu primeiro trabalho, e o tema do encontro era o papel da alimentação no desenvolvimento físico, psíquico e mental das crianças.

“Uma alimentação correta, rica e saudável, é fundamental, sobretudo nos três primeiros anos de vida, para que uma criança se torne uma pessoa adulta forte e equilibrada nos três níveis fundamentais da nossa existência: corpo, psique e cérebro/mente. Se nesses primeiros anos a alimentação não for correta, a criança correrá o sério risco de nunca conseguir manifestar todo o seu potencial como pessoa humana”. Esta foi a primeira resposta desse médico às minhas perguntas. E Dr.........

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