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Infiltrado

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03.04.2026

Já estamos no segundo trimestre de 2026 e até agora Jordélio não leu nenhum livro. Logo ele, que montou minibiblioteca e tirou nota máxima na redação do Enem.

Jordélio tem e-mail, WhatsApp, Instagram, TikTok, Face, X… Ele vê um de cada vez e promete ao pé do ouvido de seus botões: “É rapidinho. Vou só ver os posts e mensagens”. Jordélio abre o celular, responde à primeira, segunda, terceira mensagem. Então, assiste a um vídeo, curte, comenta, compartilha, manda áudio. Vai ao banheiro e leva o celular, claro. Sentado, descobre que, enquanto respondia às mensagens, chegavam outras. Começa tudo de novo.

Uns mais, outros menos, somos todos Jordélio.

Dez e dez da manhã, estou no metrô. Treze passageiros no vagão, treze passageiros mergulhados em seus celulares. O adolescente, de braço imobilizado, usa a mão livre não para se segurar, mas para digitar. Quando o trem para, quase cai, esbarra em uma moça e segue digitando, sem pedir desculpas. Ela, com fones grandes e olhos a centímetros da tela, ignora o trompaço.

O celular podia ser apenas um companheiro nas horas vagas. Mas não, o celular é usado o tempo todo, o tempo todo. Não descansa. O recado do chefe, o........

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