O Foro de São Paulo e a hipocrisia da extrema direita
Poucas expressões provocam tanto alvoroço na extrema direita brasileira quanto “Foro de São Paulo”. O termo é repetido à exaustão, quase sempre como sinônimo de conspiração, plano secreto ou ameaça à democracia. No entanto, basta um exame minimamente honesto da realidade política internacional para que essa narrativa caia por terra. Por acaso a própria direita não se organiza internacionalmente?
Enquanto denunciam esse espaço legítimo de articulação política como uma ameaça obscura à democracia, essas mesmas forças de direita atuam de forma sistemática e organizada em múltiplas frentes nacionais e internacionais, por meio de fundações, think tanks, fóruns multilaterais e organizações privadas, muitas vezes com amplo financiamento e baixa transparência pública. Tal assimetria discursiva não apenas evidencia um duplo padrão moral, mas também busca deslegitimar iniciativas de cooperação política do campo progressista, ao mesmo tempo em que naturaliza e invisibiliza redes transnacionais de poder conservador que influenciam agendas econômicas, midiáticas e institucionais em escala global.Criado em 1990, o Foro de São Paulo surgiu em um contexto de profunda derrota estratégica da esquerda mundial, após........
