Copasa: mais uma triste página da liquidação do patrimônio de Minas
A privatização da Copasa, sacramentada nesta última terça-feira (16) pelos vendilhões de sempre, não representa apenas a venda de uma empresa pública. Ela simboliza o desmonte de um projeto histórico de construção do Estado mineiro, concebido ao longo de décadas por sucessivas gerações de mineiros que compreenderam que o desenvolvimento não surge espontaneamente da ação do mercado, mas exige planejamento, investimento e capacidade de coordenação coletiva. O suor e o sangue de gerações indo para o ralo do esgoto neoliberal.
Para entender o significado da venda da Copasa, é preciso olhar para além do presente.
Minas Gerais não se transformou em uma das principais economias do país por obra do acaso. Sua industrialização, urbanização e infraestrutura foram construídas mediante um longo esforço de organização estatal. Ao longo do século XX, o estado estruturou um conjunto de instituições voltadas a financiar, planejar e executar políticas de desenvolvimento.
Surgiram empresas e instituições que se tornaram símbolos dessa estratégia: a Cemig na energia, o BEMGE e o Credireal no crédito, a Ruralminas na infraestrutura territorial, a Epamig na pesquisa agropecuária, além da própria Copasa no saneamento. Cada uma dessas instituições desempenhava funções específicas, mas todas integravam uma mesma concepção: utilizar a capacidade do Estado para criar as condições materiais necessárias ao desenvolvimento econômico e social. Eram motivo de orgulho de todo o povo de Minas. Nada mais honroso do que trabalhar em uma dessas empresas públicas.
Essa visão estava profundamente associada à tradição desenvolvimentista brasileira. O objetivo não era substituir a iniciativa privada, mas construir as bases que permitissem o crescimento das forças produtivas. Energia, crédito, saneamento,........
