Nas redes, espaço para reação e vitória
Há dois posicionamentos perante os resultados eleitorais deste domingo: de um lado se frustrar com a votação, ficar em choque e aguardar a derrota. Ou, com outra postura, perceber que havia uma oposição preparada (principalmente na estratégia digital), com mais eficiência de campanha, e assumir que a resistência da coligação petista impediu uma derrota em primeiro turno. Essa segunda postura permite que se retome a campanha com mais assertividade, firmeza, abre espaço para rearranjar o necessário e mudar de direção para caminhar para a vitória em 25 de outubro.
Comparar a campanha de rua com as estratégias e rede atuais é um disparate. Perceba que a estratégia de campanha e o comportamento de rede bolsonarista foram capazes de se organizar para recorrer ao voto útil nos dois últimos dias de campanha. Assim como tem condições de encontrar o eleitor indeciso para colocar entre os mais votados alguns dos seus candidatos a deputados e senadores. Porque eles não fazem apenas campanha de rede, com propaganda segmentada, eles fazem também e antes o monitoramento de rede.
Não, eles não são geniais e o petismo incapazes quando se trata de tecnologia digital. O PT varia sua estratégia de campanha, mas tem muita gente atuando no analógico ainda. Além disso, para fazer um bom monitoramento de rede é preciso ter ajuda das donas das plataformas. Ou seja, o trabalho de monitoramento é bem feito a partir do feedback das big techs, por isso os das campanhas da direita tem resultados melhores e mais rápidos e os petistas precisam apostar no feeling para organizar estratégias.
Para a coordenação de campanha de Lula nada disso é novidade. Era sabido que precisavam aumentar bastante o apoio antes do primeiro turno, para compensar eventuais perdas perto do dia da votação. As pesquisas eleitorais da véspera das eleições colocavam Lula em torno de 45% dos votos e Flávio Bolsonaro em torno dos 43% dos votos. Era pouco, mas garantia o essencial. Dois dias antes, Flávio Bolsonaro tinha 40% e muita gente se perguntava o que estava acontecendo.
O resultado foi ainda mais favorável ao candidato do clã Bolsonaro: com 47% dos votos, a campanha do PL atingiu 56 milhões de votos. A pior coisa que pode acontecer é não percebermos que esse cenário estava na perspectiva e, sem entendermos o que aconteceu, travarmos sem reação.
Antes então da possibilidade de choque colocar a campanha de Lula nas cordas, precisamos entender o que aconteceu e reagir imediatamente. Dois fatores explicam esse movimento de pinça realizado pela campanha bolsonarista.
Primeiro foi acionada a estratégia de buscar o voto útil nas outras campanhas estagnadas e visivelmente sem chances. Atacar as campanhas de Renan Santos, Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema foi cirúrgico para se extrair voto útil dos eleitores de perfil de direita. Romeu Zema é o exemplo mais radical. Desistiu informalmente da campanha e entregou. Entregou inclusive o acesso as suas redes. Teve vergonhosos 326.486 votos. Tinha potencial para muito mais, mas não avançou.
Com mais de sete anos governo de Minas Gerais, no seu estado teve 98.407 votos para presidente. Menos que muitos eleitos para deputado federal. Menos que Aécio Neves que com todo seu passado teve 836.534 votos para senador. Mas, mesmo os candidatos como Renan Santos e Ronaldo Caiado que não entregaram, seu desempenho foi abaixo da expectativa se explica pelo........
