Trump e a eleição no Brasil
Tendo em vista a sólida tradição de os EUA financiarem golpes militares na América Latina e apoiarem ditaduras que promovem banhos de sangue e torturas dos que ousam lutar pela democracia, é bom este ano botar as barbas de molho. Ao que tudo indica, as evidências, até o momento, permitem dizer que setores do governo Trump, especialmente no Departamento de Estado dirigido por Marco Rubio, estão tentando exercer pressão política sobre o processo eleitoral brasileiro. Isso significa influenciar a campanha eleitoral em favor de seu candidato, mas não necessariamente interferir para fraudar ou manipular o resultado da eleição, embora nenhuma possibilidade deva ser a priori excluída.
Vamos aos fatos. Depois discutiremos se os EUA, via seu Secretário de Estado Marco Rubio, pretendem ou não apoiar um golpe no Brasil, como pensam alguns.
O Governo Trump tentou enviar dois funcionários americanos ao Brasil para questionar o sistema eleitoral. O governo Lula negou visto a esses funcionários. Lula afirmou que eles pretendiam lançar dúvidas sobre a integridade das eleições. O Departamento de Estado negou, é claro, mas segundo revelou o jornal Washington Post no fim de julho, a visita de Riley M. Barnes, secretário-adjunto, e Samuel Samson, subsecretário-adjunto, tinha o objetivo de colocar em dúvida a transparência e a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Ambos são ligados à equipe de Marco Rubio que comanda, por delegação de Trump, a política norte-americana para a América Latina.
Rubio tem adotado uma postura muito mais hostil a Lula do que Trump em determinados momentos. Ele já comparou o governo Lula aos regimes de Cuba, Nicarágua e Venezuela e tornou-se um dos principais focos da tensão diplomática entre Washington e Brasília. Diplomatas brasileiros chegam a descrever a relação como uma espécie de estratégia de “morde e assopra”, com Rubio desempenhando o papel mais agressivo e Trump adotando ocasionalmente um tom conciliador.
Dentro do próprio governo brasileiro, a percepção é de que não há dúvida de que se trata de uma ação coordenada da direita internacional. As ações de Rubio e do presidente argentino Javier Milei buscam favorecer eleitoralmente........
