EUA – guerra civil ou tirania?
Tem aumentado o número de analistas e jornalistas que admitem a possibilidade de uma guerra civil nos EUA. Antes de comentar essa improvável previsão, gostaria de lembrar aqui um filme dirigido por Joe Dante, lançado em 1997, chamado A segunda guerra civil.
Trata-se de uma comédia satírica em que jornalistas, ávidos por notícias, vão cobrir a guerra civil iniciada porque os Estados não queriam receber refugiados de uma guerra nuclear entre Índia e Paquistão, e a União os obriga a receber esses refugiados. Há cenas curiosas como, por exemplo, o governador da Califórnia faz um discurso em espanhol, ele não sabe falar inglês, e a jornalista pede a um colega para traduzir.
Nas últimas semanas, protestos contra ações do ICE (agência federal de imigração dos EUA) — especialmente após o assassinato de dois cidadãos americanos em Minneapolis, em confrontos com agentes federais — intensificaram-se e chamaram atenção nacional. Autoridades têm mobilizado tropas, e milhares de agentes federais foram destacados para lidar com as manifestações em Minnesota e outras áreas, o que gerou críticas de líderes locais, protestos e manifestações públicas.
Esse aumento de protestos faz parte de uma onda maior de mobilizações contra Donald Trump no país, que cresceu significativamente desde 2025 por várias causas, desde a invasão da Venezuela e o sequestro de seu presidente até decisões envolvendo risco de guerra, como a anunciada tomada da Groenlândia. Além disso, os protestos incluem críticas à violência da tropa de choque de Donald Trump (ICE), bem como às políticas de imigração, saúde pública e desigualdade.
Especialistas que estudam conflitos afirmam que, apesar das divisões sociais profundas, os EUA não estariam caminhando para uma guerra civil aberta nos moldes históricos (exército contra exército em território nacional). Diversos estudos acadêmicos concluíram que não há evidências de que os EUA estejam entrando em uma guerra civil ativa agora.
A definição de guerra civil envolve largas frentes armadas organizadas de ambos os lados, deslegitimação total do governo e colapso das instituições nacionais — algo muito mais grave do que grandes protestos e confrontos isolados. Especialistas destacam que, até o momento, o sistema eleitoral, o Judiciário e o Congresso seguem funcionando, e há mecanismos de resolução institucional de conflitos.
Não há uma previsão objetiva de que guerras entre facções organizadas sejam iminentes. É possível que ocorram confrontos violentos localizados entre manifestantes e policiais ou agentes federais, ou entre grupos com posições opostas. Tais confrontos já ocorreram........
