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Uma democracia socioecológica

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26.08.2026

Com a crise geral das democracias e face aos ataques do fascismo e da extrema-direita à la Donald Trump, estamos em busca de uma democracia enriquecida que atenda às mudanças ecológicas e geopolíticas que estão em curso. Especialmente a monetarização da política e a uberização da vida. Vale sempre o pressuposto básico de qualquer tipo de democracia: o que interessa a todos deve poder ser decidido por todos, seja diretamente, seja por representantes. Estamos em busca de um novo tipo de democracia.

Hoje está se impondo o projeto de uma democracia ecológico-social ou, na formulação de Michael Löwy e seu grupo, de um ecossocialismo. [1] Essa compreensão nos obriga a superar um limite interno ao discurso clássico da democracia: o fato de ser ainda antropocêntrica e sociocêntrica, vale dizer, centrada apenas nos cidadãos e na sociedade. Eles são reducionistas, pois o ser humano não é um centro exclusivo, nem mesmo a sociedade, como se todos os demais seres somente ganhassem sentido enquanto ordenados a ele e à sociedade.

Ser humano e sociedade constituem um elo, entre outros, da corrente da vida. Sem as relações com a biosfera, com o meio ambiente e com as precondições físico-químicas, não existem nem subsistem. Elementos tão importantes devem ser incluídos em nossa compreensão de democracia contemporânea na era da conscientização ecológica e planetária, segundo a qual natureza, ser humano e sociedade estão indissoluvelmente unidos, de sorte que possuem um mesmo destino comum.

A perspectiva ecológico-social ou ecossocialista tem, ademais, o condão de inserir a democracia na lógica geral das coisas. Sabemos hoje, pelas ciências da Terra e da vida, que a lei básica que continua atuando na constituição do universo e de todos os ecossistemas é a cooperação, a sinergia, a simbiose e a relação de todos com todos em todos os........

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