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ASEAN é nova fronteira para o comércio exterior brasileiro

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10.09.2026

Por Leonardo Attuch, de Nova Déli — Às vésperas da Cúpula do BRICS em Nova Déli, nos dias 12 e 13 de setembro, uma movimentação diplomática menos ruidosa do que as grandes disputas geopolíticas revela muito sobre o novo lugar que o Brasil busca ocupar no mundo. Antes de chegar à Índia, onde representará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro dos líderes do bloco, o chanceler Mauro Vieira percorre o Sudeste Asiático, consolidando uma das mais importantes — e ainda pouco percebidas — conquistas da política externa brasileira nos últimos anos: a aproximação com a Associação de Nações do Sudeste Asiático, a ASEAN.

Os números ajudam a compreender a dimensão dessa transformação. A corrente de comércio entre Brasil e ASEAN, que era de apenas US$ 2,9 bilhões em 2002, alcançou o nível recorde de aproximadamente US$ 38,3 bilhões em 2025, com superávit brasileiro superior a US$ 10 bilhões. A ASEAN já é o quinto maior parceiro comercial brasileiro quando se consideram países e blocos econômicos, atrás apenas de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul. O intercâmbio vem crescendo em ritmo acelerado e o governo brasileiro considera a região uma peça central de sua estratégia de diversificação das relações externas. 

Há, porém, uma comparação ainda mais impressionante. Somadas, as exportações brasileiras entre 2023 e 2025 para os cinco maiores mercados da ASEAN — Singapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia — chegaram à casa dos US$ 68,5 bilhões, praticamente o mesmo valor vendido no período a cinco mercados tradicionais do G7: Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e França. A semelhança termina aí. Com os cinco países da ASEAN, o Brasil acumulou superávit de aproximadamente US$ 36 bilhões. Com os cinco mercados ricos do G7, acumulou déficit de cerca de US$ 36,6 bilhões.

Existe uma explicação estrutural para essa diferença. As economias desenvolvidas continuam protegendo diversos setores de seus mercados, especialmente aqueles nos quais o Brasil apresenta extraordinária competitividade, como o agronegócio. Ao mesmo tempo, o Sudeste Asiático vive um processo de dinamismo econômico e social, urbanização, crescimento das classes médias e........

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