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A Globo está onde sempre esteve: contra o Brasil e os brasileiros

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30.08.2026

O editorial publicado neste domingo pelo jornal O Globo, em que o grupo afirma que “não há do que se desculpar” por sua atuação durante a Lava Jato, tem pelo menos uma virtude: desfaz ilusões.

Depois de tudo o que aconteceu no Brasil na última década, depois dos 580 dias de prisão de Luiz Inácio Lula da Silva, da anulação de suas condenações, do reconhecimento da parcialidade de Sergio Moro pelo Supremo Tribunal Federal no processo do tríplex e da destruição de empresas, empregos e capacidade produtiva nacional, a Globo decidiu que não tem nada a rever.

Talvez seja melhor assim. Porque a frase permite compreender que a Globo está exatamente onde sempre esteve: contra o Brasil e contra os brasileiros.

Não se trata de um desvio ocasional, de um erro jornalístico ou de uma escolha infeliz feita durante a cobertura de determinado acontecimento. Trata-se de uma posição histórica.

A Globo é e sempre foi um dos mais poderosos aparelhos ideológicos das classes dominantes brasileiras e do imperialismo. Nos grandes confrontos sobre os destinos do País, quase invariavelmente colocou seu imenso poder de comunicação a serviço daqueles que defendem um Brasil subordinado, desigual e incapaz de exercer plenamente sua soberania. Mudam os personagens, mudam os pretextos, mudam as campanhas, mas o lado permanece essencialmente o mesmo.

Essa história não começou com Lula, Dilma Rousseff ou a Lava Jato. Antes mesmo da existência da Rede Globo de Televisão, o jornal O Globo integrou o campo político e midiático que combateu Getúlio Vargas, especialmente na crise que culminou no suicídio do presidente, em 24 de agosto de 1954. A Carta-Testamento transformou a morte de Vargas numa denúncia histórica contra as forças nacionais e estrangeiras que se levantavam contra seu projeto de desenvolvimento.

A reação popular ao suicídio foi explosiva e atingiu também os veículos identificados com a campanha contra Getúlio. Carros de O Globo foram incendiados por manifestantes.

Não se trata de celebrar a violência contra empresas ou trabalhadores da imprensa, mas de registrar o tamanho da revolta e a percepção, já naquele momento, de que determinados meios de comunicação não eram simples observadores da crise brasileira. Eram atores políticos.

Dez anos depois, não haveria sequer espaço para dúvidas. O Globo apoiou o golpe militar de 1964 que derrubou o presidente constitucional João Goulart e instaurou uma ditadura que duraria 21 anos. O golpe foi vendido como defesa da democracia e produziu exatamente o contrário: cassações, censura, perseguições políticas, prisões, torturas, assassinatos e exílio.

Enquanto milhares de brasileiros pagavam o preço da ditadura, as Organizações Globo cresceram extraordinariamente. Foi durante o regime militar que a Rede Globo se consolidou nacionalmente, construiu uma posição dominante na formação da opinião pública brasileira e adquiriu uma capacidade de influência política sem paralelo entre empresas privadas do........

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