O risco de dormir no dia 25 e acordar em 1964
Essa leitura, com certeza, você já fez. Com a direita dominando a Câmara dos Deputados, conquistando três quintos do Senado e podendo assumir também a Presidência da República, o Brasil corre o risco de concentrar poder demais nas mãos de um único campo político. Projetos de lei, medidas provisórias e até mudanças na Constituição avançarão com muito menos resistência, desde que atendam aos interesses do governo e de seus aliados. Enquanto isso, propostas que ampliem direitos, gerem empregos, fortaleçam os serviços públicos e protejam a soberania nacional serão deixadas de lado. Afinal, faremos oposição e denunciaremos os retrocessos, mas não haverá votos suficientes no Congresso Nacional para impedi-los.
E não é preciso adivinhar quais interesses prevalecerão. Basta olhar o histórico de votações de Flávio Bolsonaro e de seus aliados. O candidato da extrema-direita apoiou a reforma da Previdência de 2019, que endureceu as regras de aposentadoria, e votou contra a PEC da Transição de 2022, que garantiu R$ 600 para o Bolsa Família. São decisões concretas que ajudam a compreender suas prioridades políticas e de que lado ele está. O que hoje já preocupa ganhará proporções muito maiores com essas mesmas posições encontrando uma maioria parlamentar disposta a transformá-las em políticas de governo.
O perigo não está apenas na possibilidade de FB assumir a Presidência, mas na concentração de poder que lhe permitirá governar sem que a oposição tenha votos suficientes para barrá-lo.
E não estamos falando de ameaças abstratas. Basta observar as propostas que estão sendo colocadas sobre a mesa.
O chamado “tesouraço” de Flávio Bolsonaro prevê um ajuste fiscal de aproximadamente R$ 200 bilhões. Segundo estudo divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), uma política de cortes dessa magnitude, nas condições simuladas, poderá comprometer cerca de 2,2 milhões de oportunidades de emprego e reduzir a atividade econômica em 1,55% do Produto Interno Bruto.
A projeção também aponta perdas de R$ 68,7 bilhões na massa salarial e de R$ 46,8 bilhões na arrecadação tributária.
Uma estratégia pífia e inconsequente. Promete-se salvar as contas públicas, mas corre-se o risco de destruir empregos, reduzir salários, enfraquecer o consumo e ainda diminuir a arrecadação. Parece aquele sujeito que, a fim de conseguir dinheiro para pintar a casa, decide arrancar e vender o próprio telhado. A conta pode até bater num primeiro momento. Mas, e quando chegar a tempestade?
E quem........
