Como o bolsonarismo bloqueou o fim da escala 6×1 e por que precisamos reagir
Já sabemos que a estratégia de pôr fim à escala 6×1 durante a semana de esforço concentrado do Senado foi vítima de sabotagem calculada pelo bolsonarismo. Enquanto a maioria esmagadora da população desejava mudanças, e mesmo o governo articulava soluções de transição, o bloco conservador de parlamentares atuou em duas frentes, no Congresso, retardando o processo, e nas redes sociais, espalhando medo e mentiras.
Na Câmara, foi preciso esforço do governo e pressão das ruas para que a CCJ sequer liberasse a pauta. Deputados ligados ao bolsonarismo pediram vista dos pareceres sobre o 6×1 apenas para ganhar tempo. Essa manobra não se baseava em dúvida genuína sobre o texto, mas sim em truque político. O mesmo grupo se notabilizou por apresentar uma proposta-trambique (“pagamento por hora”) para alimentar o medo de jornadas intermináveis. Queriam trocar as 36–40 horas semanais por um modelo onde o patrão pudesse, na prática, impor 50 horas – e ainda inverter a situação, dizendo que quem se sentisse prejudicado poderia ganhar menos e fazer “bicos” à parte. Essa é uma lógica típica de desinformação, pintam o fim do 6×1 como catástrofe econômica, mesmo com a lei em vigor já permitindo até 44 horas.
No Senado, a estratégia foi ainda mais cristalina. Embora a PEC tenha sido aprovada pela Câmara em maio de 2026, o texto ficou um mês inteiro parado no gabinete do presidente Alcolumbre. Por que esse atraso? Oficiais do setor produtivo haviam apresentado naquele momento um projeto alternativo (PEC 12/2026, de Rogério Marinho) que favorecia ampliação de horário por hora trabalhada, e esse sim foi encaminhado de imediato para comissão. Ou seja, o tempo........
