O Hezbollah tem razão
O Hezbollah tem razão ao rejeitar um cessar-fogo, que na verdade é uma farsa encenada pelos imperialistas estadunidenses e os sionistas israelenses, combinada com as medidas de força que pretendem impor ao povo libanês. Tais medidas condicionam a soberania do Líbano, estabelecem o desarmamento unilateral da resistência, sem garantir a retirada israelense, o fim da ocupação, dos ataques e a segurança do povo libanês.
A posição expressa pelo secretário-geral do Movimento de Resistência Islâmica Libanesa, Sheikh Naim Qasem, na última quinta-feira (4), é uma justa reação enérgica a mais uma proposta patrocinada por Washington. “Rejeitamos qualquer ligação entre a existência da resistência e a cessação da agressão e a retirada de Israel”, afirmou o secretário-geral. É a denúncia de uma lógica que se repete desde 2024: acordos anunciados como caminhos para a paz, mas estruturados de modo a preservar a margem de ação militar de Israel e a pressionar o Líbano a aceitar condições incompatíveis com sua soberania.
A experiência recente confirma essa leitura. Todos os acordos de cessar-fogo patrocinados por EUA e Israel desde 2024 fracassaram em produzir estabilidade duradoura. Também fracassaram os pactos costurados desde a guerra desencadeada desde o início de março último. A cada nova rodada, o mesmo roteiro se repete: Washington anuncia uma solução, Israel preserva sua capacidade de atacar, e o Líbano é pressionado a fazer concessões estratégicas em nome de uma normalidade que nunca chega.
O problema, portanto, não está na resistência libanesa, mas na arquitetura desses acordos. São propostas que exigem do Hezbollah renúncias definitivas, capitulação, enquanto oferecem ao Líbano........
