A guerra econômica de Trump contra o Irã tende ao fracasso
Por José Reinaldo Carvalho – A guerra econômica de Trump contra o Irã tende ao fracasso porque parte de uma premissa desgastada: a de que os Estados Unidos ainda podem submeter uma potência regional por meio do controle do dólar, de sanções unilaterais e do bloqueio de suas exportações. A estratégia ignora tanto a capacidade de resistência construída por Teerã quanto as transformações que reduziram o alcance da coerção econômica exercida por Washington.
A Casa Branca aposta que o estrangulamento financeiro levará a República Islâmica à desorganização interna ou a uma negociação conduzida sob as condições estadunidenses. Trata-se de uma leitura condicionada pela velha lógica imperialista, segundo a qual qualquer país afastado dos circuitos financeiros do Ocidente estaria condenado ao isolamento. O Irã, porém, passou mais de quatro décadas adaptando suas instituições, empresas e relações comerciais a sucessivas rodadas de sanções.
A retomada da pressão econômica também expõe a escassez de alternativas estratégicas dos Estados Unidos. Depois de seis meses marcados por ataques ao Irã em associação com Israel, impasses militares e crescente resistência internacional ao conflito, Donald Trump tenta transferir a ofensiva para o terreno financeiro. A mudança não representa uma demonstração de força, mas o reconhecimento dos limites políticos e militares enfrentados por Washington.
Ao anunciar punições classificadas como “devastadoras”, Trump recorre a uma fórmula que já não produz os mesmos resultados. O sistema internacional do século XXI é mais fragmentado, e o comércio mundial dispõe de canais que escapam, ainda que parcialmente, ao controle dos Estados Unidos. O Irã não é uma economia insular: ocupa uma posição estratégica na Ásia, possui vastas reservas energéticas e está conectado a mercados interessados em preservar relações comerciais independentemente das determinações da Casa Branca.
A China constitui o principal obstáculo à tentativa de reduzir a zero as exportações iranianas de petróleo. Pequim precisa garantir seu abastecimento energético e não aceita que Washington determine unilateralmente seus fornecedores. Ao longo dos últimos anos, chineses........
