O verdadeiro “problema fiscal” do Brasil
A Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) mostra que no ano passado o Brasil despendeu R$ 2,135 trilhões com os serviços da dívida pública, comprometendo 42,24% do Orçamento Federal Executado, de impressionantes R$ 5,054 trilhões. O conhecido gráfico, elaborado anualmente pela ACD desde 2011, mostra que enquanto os gastos no Brasil com Educação são de 3,18% do total, Saúde 4,27% e Defesa Nacional 1,74%, os serviços com a dívida pública chegaram a quase metade das despesas totais pagas em 2025.
Esse não foi um ponto fora da curva. A primazia dos gastos com a dívida, em detrimento de todos os gastos primários fundamentais para o país, vem de décadas. O gráfico abaixo, também de autoria da ACD, mostra essa evolução em 25 anos. Nesse período, dois tipos de gastos saltaram significativamente de patamar: Juros/Amortizações da Dívida Pública e Previdência Social. Este último item passou de 5,6% para 8,1% do PIB. Claro que, no mesmo período, a economia brasileira quase dobrou de tamanho real, tendo crescido 82% em 25 anos.
O que explica o aumento de quase 45% na razão gasto/PIB (passando de 5,6% para 8,1% do PIB) é um conjunto de fatores, começando pelo demográfico. A proporção de pessoas com 60 anos ou mais quase dobrou, de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023 (IBGE), e o número absoluto de idosos passou de cerca de 14,5 milhões para cerca de 34 milhões. A expectativa de vida........
