O Multilateralismo do Pós-Imperador: Autonomia global, redução de assimetrias e avanços socioambientais no vácuo hegemônico norte-americano
O ciclo de hegemonia unipolar inaugurado no pós-Guerra Fria caracterizou-se pela sobreposição dos interesses geopolíticos das elites financeiras norte-americanas às normas de direito internacional. A participação dos EUA nos fóruns multilaterais historicamente operou sob a tática da “excepcionalidade”: a instrumentalização do poder de veto e do financiamento condicionado para conter o avanço soberano das nações periféricas e blindar o seu complexo industrial-militar.
A decisão de efetivar o desengajamento de 66 organizações e tratados internacionais — dos quais 31 são diretamente vinculados ao sistema ONU — representa o coroamento de um processo de retração imperial. Longe de paralisar a cooperação humana, a ausência de um fiador hegemonizador sob a premissa de um “império da força” tem possibilitado a reemergência de uma multipolaridade baseada em trocas e equivalências materiais diretas.
A Paralaxe Classista e a Reconfiguração dos Mecanismos MultilateraisA leitura da saída norte-americana do sistema multilateral sob a perspectiva da paralaxe classista demonstra que os fóruns internacionais do pós-Segunda Guerra carregavam uma dupla função histórica: enquanto promoviam agendas de cooperação universal, garantiam a transferência ininterrupta de riqueza do Sul Global para o centro do capital fiduciário.
Soberania Sanitária e Quebra de Patentes: Com a retração das pressões diplomáticas de Washington em instâncias de regulação, agências como a........
