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Soberania financeira para um mundo em transformação (e em perigo)

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15.06.2026

A crise da ordem construída no pós-guerra, a perda relativa de centralidade dos Estados Unidos, a emergência da China, a ampliação dos Brics, as guerras, as sanções econômicas e a disputa tecnológica revelam uma etapa de transição na geopolítica e na economia internacional. A soberania nacional, no século XXI, envolve a defesa do território e da democracia, mas passa também pelo controle da moeda, do crédito, dos sistemas de pagamento, das infraestruturas digitais, dos dados, da ciência e da tecnologia.

Em artigo recém-publicado, o economista André Lara Resende chamou a atenção para a decomposição da arquitetura financeira internacional e para o anacronismo de parte da macroeconomia dominante diante da moeda fiduciária, da financeirização global e das novas formas privadas de dinheiro digital. Sua reflexão ilumina um ponto central que nós, da esquerda, e em particular o PT, temos destacado: quem controla fluxos financeiros, instrumentos de pagamento, crédito e plataformas digitais controla parte essencial do poder contemporâneo.

Essa “macroeconomia anacrônica”, como Lara Resende define, continua pensando a moeda, o Estado, a dívida pública, os juros e a inflação com categorias herdadas de outro momento histórico, como se a economia contemporânea ainda funcionasse sob as mesmas condições do padrão-ouro, da escassez monetária rígida ou de mercados financeiros menos integrados. Trata a moeda como simples instrumento neutro, a dívida pública como ameaça permanente, o déficit como pecado original e os juros elevados como única resposta legítima a qualquer tensão inflacionária, sem reconhecer que, no capitalismo financeirizado atual, a moeda é uma instituição política, o crédito organiza a produção e a vida social, e a política monetária define ganhadores e perdedores. No caso brasileiro, esse anacronismo serve de justificativa para manter juros reais entre os mais altos do mundo, subordinar o orçamento público à remuneração da riqueza financeira, comprimir o investimento do Estado e bloquear um projeto nacional de desenvolvimento. 

Desde Bretton Woods, o dólar ocupa a........

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