Heloísa de Carvalho e a luta contra os dragões da maldade: filha do Olavo foi uma grande mulher
Desde a manhã de quinta-feira, 8 de janeiro, tenho recebido mensagens sobre a morte de Heloísa de Carvalho. Ela foi minha fonte em diversas reportagens sobre Olavo de Carvalho, seu pai, e sobre eventos ligados à extrema direita, como a prisão de Fabrício Queiroz. Confesso que resisti a escrever sobre sua morte, em razão da provável causa — o suicídio. Mas a imagem de Heloísa não saiu de minha mente. Não como perturbação, e sim como o chamado da consciência e do dever moral de escrever sobre alguém marcada pela integridade, pelo compromisso genuíno com a causa pública e por uma responsabilidade pessoal rara: cuidar do marido, doente e bem mais velho, até sua morte, ocorrida poucos meses atrás. Heloísa, que deixa um filho adulto, era uma grande mulher.
Segundo registro da polícia, na noite de quarta-feira, 7 de dezembro, um amigo, Marco Follmann, foi à casa de Heloísa, em Atibaia, a cerca de 50 quilômetros de São Paulo, onde mora. Ao notar que as cachorras estavam muito agitadas, decidiu entrar. Encontrou a amiga deitada de barriga para baixo (decúbito ventral), com cartelas de remédio ao lado da cama. Na cozinha, havia uma lata de cerveja aberta e garrafas de bebida, também abertas. Ele acionou o Samu, que constatou o óbito. Heloísa foi sepultada no cemitério São Sebastião, em Atibaia, cidade onde viveu por aproximadamente trinta anos. O boletim de ocorrência registra ainda que, no dia anterior, ela havia dado entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento do município, por tentativa de suicídio.
Ao tomar conhecimento dos detalhes da tragédia, lembrei-me do primeiro contato que tive com Heloísa, em uma reunião virtual, já durante a pandemia. Na........
