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No Supremo não tem santos – a Moraes o que é de Moraes; a Mendonça a pena de seus pecados – E a República o seu caos

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04.09.2026

Qualquer coisa que hoje se escreva sobre os fatos revelados no caso Banco Master será insuficiente para descrever a dimensão trágica do país. Não porque o caso seja incompreensível. Ao contrário: ele começa a ficar claro demais. E o que está claro é pior do que o mistério.

No artigo “Resetem a República” – https://www.brasil247.com/blog/resetem-a-republica/ , escrevi que o Master não era apenas um escândalo, mas um diagnóstico. Agora chegaram os exames de imagem. O poder brasileiro não está desorganizado. Está organizado em torno de relações que não deveriam organizá-lo. Funciona por contatos, recados, encontros, gratidões, nomes que abrem portas e portas que deveriam permanecer fechadas.

Muito mais ainda virá à tona. O que já apareceu, no entanto, permite perceber a doença: agentes públicos começaram a conjugar a República no possessivo.

Meu ministro. Meu procurador. Meu diretor da Polícia Federal. Meu relator. Meu inquérito. Minha competência. Meu sigilo. Minha versão dos fatos.

O pronome é curto. O estrago é constitucional.

Daniel Vorcaro, às vésperas de ser preso, escreveu mensagens para um interlocutor que a Polícia Federal suspeita ser Alexandre de Moraes. Queria encontros, informações e ajuda. Perguntou se já deveria estar fora do país na segunda-feira. Quis saber se havia possibilidade de uma operação ocorrer. Perguntou se seria possível fazer alguma coisa. No próprio dia da prisão, quis saber se o interlocutor conseguira obter notícia ou “bloquear” a medida.

As respostas não foram recuperadas. Este dado importa. O Direito não pode preencher lacunas com indignação, ainda que a indignação tenha excelentes motivos. Também não está demonstrado, apenas por essas mensagens, que todos os encontros tenham acontecido ou que os pedidos tenham sido atendidos.

Mas existe uma diferença entre não antecipar uma condenação e fingir que nada há para investigar. A presunção de inocência protege pessoas contra a culpa sem prova. Não protege fatos contra a apuração.

Vorcaro não escrevia como quem procura no catálogo do Supremo um parecer sobre princípios gerais. Escrevia como quem acreditava ter acesso. Em uma mensagem, declarou “gratidão de vida” a Moraes. Em outras, pediu a atuação de “Andrei e Paulo”, referências que a investigação associa a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. Pediu que eles impedissem uma “sacanagem” dos escalões inferiores. Pediu que Andrei atrasasse........

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