Quem não deve não teme: é isso mesmo?
A frase é repetida com frequência como se fosse um princípio moral incontestável. "Quem não deve não teme" soa simples, segura e reconfortante. Mas, à luz da vida política e institucional contemporânea, ela não se sustenta. Em sociedades marcadas por profundas desigualdades e disputas permanentes pelo poder, o temor nem sempre decorre da culpa. Muitas vezes, decorre do contexto.
Os Estados nacionais são formados por diferenças de toda ordem — ideológicas, religiosas, físicas e programáticas — que convivem com desigualdades sociais produzidas pelo acesso desigual às riquezas coletivamente geradas e pela concentração de poder econômico nas mãos........
