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Entre a serenidade e a birra: os desafios da democracia brasileira

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02.05.2026

Serenidade é o estado de espírito marcado pela calma, pelo equilíbrio emocional e pela tranquilidade. É a capacidade de lidar com adversidades sem se deixar dominar por perturbações, mantendo a paz interior mesmo diante de problemas complexos ou de obstáculos inesperados.

No Brasil dos tempos atuais, o que se espera daqueles que organizam e conduzem o poder é, precisamente, serenidade. Os episódios recentes em Brasília — como a rejeição, pelo Senado da República, da indicação de Messias, nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal, e a derrubada de veto pelo Congresso Nacional, com impacto na dosimetria das penas relacionadas à tentativa de golpe de Estado contra a democracia — revelam um cenário em que, muitas vezes, sobra birra e falta serenidade, inclusive entre atores centrais da vida pública.

Birra, por sua vez, é a expressão da teimosia obstinada, do capricho e da reação desproporcional. É comportamento associado ao descontrole emocional, à incapacidade de ponderação e à recusa em dialogar com a realidade.

Quando a birra se sobrepõe à serenidade, a política perde sua capacidade de organizar conflitos e construir soluções. Mais preocupante ainda é quando a razão cede espaço à vontade intempestiva, descolada de uma leitura adequada das circunstâncias. Nesses momentos, abre-se caminho para decisões precipitadas, tensões desnecessárias e desajustes institucionais difíceis de conter.

Fato é que a democracia brasileira permanece profundamente influenciada pelo poder econômico. A força do dinheiro ainda desempenha papel decisivo na definição da correlação de forças no país. Poucos — ou quase ninguém — alcançam uma vaga no Congresso Nacional sem apoio financeiro relevante. No contexto do capitalismo contemporâneo, o financiamento político, em muitos casos, passa a ser tratado como investimento: quem aporta........

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