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Trump subsidia a “destransição energética”

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03.04.2026

Há decisões de governo que revelam uma visão de mundo. A anunciada entre o governo Donald Trump e a TotalEnergies é uma delas. Não se trata apenas de uma mudança de carteira empresarial. Trata-se de uma escolha política explícita: dificultar a energia renovável, inviabilizar a eólica offshore e premiar financeiramente a migração de capital para projetos de gás, petróleo e LNG. O próprio Departamento do Interior dos EUA informou que a empresa investirá US$ 928 milhões em ativos fósseis e, em seguida, será reembolsada pelo governo pelo valor desembolsado nas licenças de eólica offshore que serão encerradas. A TotalEnergies confirmou o arranjo e declarou que deixará de desenvolver essa tecnologia no país.

Juridicamente, o governo americano chamará isso de “reembolso de taxas de arrendamento”, condicionado a reinvestimento equivalente. Economicamente e politicamente, o efeito é outro: dinheiro público sendo usado para remunerar a desistência de renováveis e acelerar a reorientação de capital para combustíveis fósseis.

É uma espécie de prêmio à regressão. Em vez de reduzir risco, destravar licenciamento, expandir rede, apoiar a curva de aprendizado e fortalecer a competitividade de uma tecnologia emergente, Washington decidiu pagar para enterrá-la.

O mais grave é o simbolismo. O mundo acaba de sair de um ciclo em que a comunidade internacional reafirmou a necessidade de triplicar a capacidade renovável até 2030 e acelerar a transição para conter o aquecimento global. IRENA, IEA e o próprio sistema ONU têm insistido que a expansão das renováveis é central para manter viva a........

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