Leilão de energia: potência contratada, eficiência questionável
O resultado do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) de 2026 traz uma resposta imediata a uma preocupação legítima – a segurança do sistema elétrico —, mas levanta dúvidas profundas sobre a qualidade do planejamento adotado e o custo que será imposto ao país nos próximos anos.
O Brasil contratou cerca de 19 GW de potência, com forte predominância de termelétricas a gás natural, que concentraram aproximadamente 80% da capacidade, além de participação de térmicas a carvão e ampliações hidrelétricas. O custo anual estimado gira em torno de R$ 38,9 bilhões, com compromissos totais superiores a R$ 500 bilhões ao longo dos contratos.
Em termos formais, o sistema passa a contar com maior capacidade de resposta. Em termos econômicos e estratégicos, porém, o que se observa é outra coisa: baixa competição, concentração de vencedores e priorização de soluções tradicionais em detrimento de alternativas mais eficientes.
Baixa competição e concentração: um sinal de alerta. Apesar do elevado número de projetos cadastrados, o leilão apresentou baixo nível de competição efetiva, com deságio médio reduzido – em alguns casos praticamente inexistente.
O resultado foi a forte concentração em........
