Biodiesel, segurança energética e o risco de políticas mal calibradas
A escalada de tensões no Golfo e a volatilidade recente no mercado de petróleo reacenderam um debate importante no Brasil: como reduzir a exposição do país a choques internacionais no preço do diesel.
Entre as propostas que voltaram à mesa está a elevação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel para B16. A ideia, defendida por representantes do agronegócio e por parte da indústria de biocombustíveis, é reduzir a dependência de diesel importado e diminuir a exposição cambial da economia brasileira. À primeira vista, o argumento parece razoável. O Brasil ainda importa parcela relevante do diesel que consome. Substituir parte desse volume por biodiesel produzido no país poderia, em tese, aumentar a segurança energética.
O problema é que a questão não é tão simples. O biodiesel brasileiro costuma ter custo superior ao do diesel mineral. Isso ocorre principalmente porque sua principal matéria-prima é o óleo de soja, um produto com preço elevado e fortemente influenciado pelo mercado internacional de alimentos. Esse detalhe muda completamente a natureza do debate.
Mais de 65% do biodiesel produzido no Brasil........
