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A sabotagem velada das renováveis

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26.03.2026

Existe uma forma de destruição que não usa bulldozer. Usa papéis, emendas, impasses regulatórios, lobbies nos corredores do Congresso e vetos disfarçados de “preocupação sistêmica”. É a sabotagem silenciosa — e o que está acontecendo hoje com as fontes renováveis de energia no Brasil tem muito dela.

Três episódios recentes, lidos em conjunto, revelam um padrão que não pode ser ignorado por quem acompanha o setor com seriedade.

Primeiro: o curtailment bilionário. A Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia (Apine) acaba de lançar sua agenda legislativa para 2026 com um dado que deveria envergonhar o país: em 2025, os cortes compulsórios de geração renovável, o chamado curtailment, custaram aproximadamente R$ 6 bilhões ao setor.

Cerca de 20% de toda a energia solar e eólica produzível foi simplesmente desperdiçada. Não por falta de tecnologia, não por incapacidade dos geradores. Mas porque o sistema de transmissão não cresceu no ritmo da geração, porque a regulação do armazenamento não saiu do papel, e porque a sinalização de preços continua distorcida.

Em alguns momentos do terceiro trimestre de 2025, chegou-se perto de um terço do potencial solar cortado. Jogamos fora energia limpa e barata enquanto o país ainda depende de termoelétricas caras e poluentes para garantir segurança.

Segundo: o impasse regulatório do armazenamento. A capacidade instalada de renováveis não despacháveis no Brasil saltou de cerca de 30 GW para aproximadamente 90 GW entre 2021 e 2025. Um crescimento extraordinário. Mas este avanço não foi acompanhado de infraestrutura de transmissão compatível nem de um mercado funcional de armazenamento em baterias. Resultado: nos momentos de maior insolação, o sistema produz mais do que consegue consumir ou escoar.

A solução existe: os Sistemas de Armazenamento de Energia (SAE) são a resposta óbvia. Porém, a regulação definitiva da ANEEL segue indefinida. O........

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