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Para impedir que o ódio se utilize da religião

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23.06.2026

Desde os primórdios, a humanidade sempre esteve submetida à ação dos manipuladores de seus sentimentos para que os interesses característicos de certos grupos fossem mantidos, ou conquistados.

Assim, também desde sempre, um dos principais instrumentos aos quais os manipuladores recorrem para a concretização de seus planos tem a ver com a religião, ou com temas a ela correlacionados.

Por isso, considero quase que impossível vislumbrar uma resposta para este tipo de problemas sem que tenhamos igualmente uma boa compreensão do significado dos fatores que dão embasamento aos sentimentos religiosos e às religiões como instituições organizadas da sociedade.

Antes de avançar nos pontos realmente merecedores de serem qualificados como dignos de atenção, quero deixar bem claro desde o princípio que considero totalmente irrelevante a discussão sobre a existência ou não de Deus, o ser supremo, criador e regedor de tudo o que existe no mundo.

E o teor de minha argumentação deveria ser bem compreendido e aceito por todos, em especial por aqueles que acreditam com sinceridade que a existência de Deus é uma realidade indiscutível.

Inegavelmente, para que sua autoridade se imponha de fato e que seus seguidores a acatem e obedeçam voluntariamente, é imperativo que Deus incorpore tão somente causas, ideias e motivações que nos conduzam no rumo do bem, da justiça e da solidariedade entre toda a humanidade. Por expressar a bondade em seu nível mais elevado, seria inadmissível que suas orientações apontassem em sentido oposto.

Um ser com toda essa magnanimidade jamais teria como sua preocupação cobrar de suas criaturas declarações públicas de sua crença. A única prova indispensável de fidelidade que corresponde a seu caráter é exigir que seus seguidores vivam inteiramente dedicados a defender e exercitar na prática a luta para atingir os objetivos de bondade por ele traçados.

Em consequência, todas as boas ações humanas são de seu agrado, mesmo quando feitas sem mencioná-lo. Por outro lado, nenhuma maldade tem sua aprovação, ainda que quem a cometa invoque seu nome para tal. Isto se deve a que, como já visto, a mais contundente prova de lhe ser fiel é obrar em perfeita sintonia com seus desígnios, ou seja, praticar efetivamente o bem.

Havendo feito os esclarecimentos das linhas anteriores, podemos tentar extrair algumas lições determinantes para nossa boa orientação.

Como saber se o caminho que nos está sendo sugerido corresponde de verdade à vontade de Deus? Para........

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